Mostrar mensagens com a etiqueta Borbulhas e Heraclito. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Borbulhas e Heraclito. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 25 de julho de 2017

Heraclito e Marx

Achei fascinante o Heraclito. Estou a pensar tornar-me discípulo de Heraclito nas discussões lá em
casa. Isto para além de me dar muito gozo ser o obscuro para despachar o meu irmão mais novo. A ver se ele desiste de me chatear.
À mesa, o tema recorrente do momento: o meu pai continua desempregado. Comentei a situação: tudo muda, portanto, também a tua situação vai mudar, disse ao meu pai. Este perguntou-me: para melhor ou para pior? Não soube o que responder, o Heraclito não se pronuncia sobre isso. O meu pai reparou no meu silêncio embaraçado. Deu-me uma palmada nas costas e declarou: para a minha situação de vítima do sistema capitalista, é melhor ler o Marx!
Eu não deixei que ele ficasse a saber que eu não sabia quem era o Marx. A seguir ao jantar procurei o tal Marx na Internet.
Já sei o que vai acontecer e acho que a minha mãe não vai gostar nada: o meu pai vai deixar crescer a barba até à barriga!...
(Borbulh@s e Heraclito - diário de um estudante de Filosofia)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tentar saber o que é a Filosofia é o primeiro problema da Filosofia

Há muita gente a falar da Filosofia. É como se tivesse aberto um bar novo onde se podia ir conversar e ouvir música desconhecida, alternativa e muito fixe.
Fomos convidados pelos profe para o primeiro problema da Filosofia que é saber o que é a Filosofia. Passámos a aula a mandar bitaites sobre o que era a Filosofia. Cada um mandava a sua boca, rimo-nos muito, foi divertido. É ótimo atirar palavras para o ar sem ter que pensar nelas antecipadamente. Quem quiser que as agarre depois, se bem que eu gostava que fosse a Paula a apanhar uns versos que escrevi ontem à noite, quando estava na cama e não conseguia adormecer!... Claro que não vou reproduzi-los aqui, porque só conhecendo a musa inspiradora é que estaria apto para perceber aquelas palavras.
Mas voltando aos disparates da aula de Filosofia. O que nos valeu foi o profe dizer que qualquer coisa que disséssemos estava sempre certa, tinha que ser aceite, mesmo o maior disparate. Ora, na nossa turma, disparates é coisa que não falta. Mesmo alguns colegas da turma são eles próprios uns disparates em figura de gente. Todos os disparates valem em Filosofia, porque todos têm direito à palavra! A partir daí instalou-se a bagunça geral, com cada um a emitir a opinião mais maluca que lhe viesse a cabeça. O professor estava contente e nós nem demos pelo tempo passar. É ótimo haver uma disciplina onde cada um tem oportunidade de dizer o que lhe vem à cabeça, pois estamos na idade em que a nossa cabeça mais parece um rio desvairado, uma bicla sem travões.
(Do texto em desenvolvimento, Borbulh@s e Heraclito - diário de um estudante de Filosofia)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A primeira aula de Filosofia - páginas dum diário dum aluno

A primeira aula de Filosofia
Tive hoje a primeira aula de Filosofia. O professor era mais gordo do que eu estava à espera. E também mais velho, já tinha muitos cabelos brancos. Bem, eram mais os brancos que os outros. Mas tinha o cabelo bem assente, não estava despenteado, devia ser das ideias filosóficas. Sempre pensei que um homem dedicado ao saber e à reflexão deveria ser magro, com os ossos a quererem romper a pele, com olheiras à volta dos olhos encovados, usando uma gabardina sebosa apesar de não estar dia de chuva, e umas peúgas de cada cor. Era assim que imaginava o stor de Filosofia a partir do que me tinham dito os colegas mais velhos. Ora, eu estava profundamente enganado. Nem sempre o que imaginamos se realiza. Se eu encontrasse o meu novo professor de Filosofia atrás dum balcão duma mercearia, a vender açúcar e massa, ou na caixa de um supermercado, teria achado perfeitamente normal. Afinal, era a pessoa mais comum que podia haver! Mas não era nenhuma desilusão, de modo nenhum!...
Talvez fosse isso, ser tão igual aos outros, que fizesse dele um tipo diferente. Quando nós procuramos ser diferentes uns dos outros, originais a vestir por exemplo, acabamos por nos tornarmos iguais aos nossos amigos e colegas. Este profe era tão sem graça, sem nada de especial, no físico ou no aspeto, que devo reconhecer que era diferente dos outros. Era como se quisesse ser invisível, passar invisível. Por isso é que se ouvia tão bem a sua voz...
(Do texto em desenvolvimento, Borbulh@s e Heraclito - diário de um estudante de Filosofia)